sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A Lenda da Grande Stupa


A Lenda da Grande Stupa - Padmasambhava e Yeshe Tsogyal
Prósperos em virtude de seu trabalho diligente, a vendedora de aves Shamvara e seus quatro filhos aspiraram construir uma Grande Stupa - um relicário para os restos dos Tathagatas e um local de adoração para inúmeros seres.

Esta lenda de devoção, contada pelo grande Guru Padmasambhava ao Rei do Tibete, Trison Detsen, usa a linguagem do mito para comunicar significados profundos.

Dos ciclos de construção, progresso, destruição e regeneração que a lenda relata, ecoam experiências inerentes ao desenvolvimento espiritual, oferecendo um guia visionário através dos estágios da iluminação.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Prece de Sete Linhas

Hung

No país de Orgyen, em sua fronteira noroeste,
Sobre um lótus, pistilo e caule,
Espantosa e suprema realização você alcançou
E como o Nascido do Lótus você é renomado.
Um círculo de muitas dakinis o envolve,
Seguindo suas pegadas, praticando, nós o seguimos.
Para que conceda suas bençãos, aproxime-se, nós oramos

Guru Padma Siddhi Hung

Lótus branco






O comentário traduzido nestas páginas é incomum e raro. Mas, se o comentário é uma raridade, seu tema, a invocação em sete linhas a Guru Padmasambhava, é uma das preces mais conhecidas no mundo do budismo tibetano. O significado geral da Prece de Sete Linhas talvez seja melhor entendido em relação a prática chamada guru yoga, ou "união com a natureza do guru." O propósito de guru yoga é purificar e aprofundar a relação do discípulo com seu/sua professor(a). É introduzida como uma das práticas preliminares e permanece como crucial - de fato sua importância aumenta - à medida que se progride para os níveis mais avançados do caminho tântrico. O cultivo da devoção pelo(a) guru e a união da mente com a mente iluminada é, nas palavras de Dilgo Khyentse Rinpoche, "a mais vital e necessária de todas as práticas e é, em si mesma, a forma mais segura e rápida de alcançar a meta da iluminação." No que diz respeito a origem deste comentário, Mipham se refere no colofão a um evento que disparou o surgimento abrupto em sua mente do significado oculto da prece. Interessante notar que a linguagem que Mipham emprega sugere que o próprio comentário não é uma composição ordinária, mas o ensinamento de um tesouro, especificamente um "tesouro da mente", ou gongter.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Ensinamentos do mestre que nasceu do lótus

Livro: Ensinamentos do mestre que nasceu do lótus



Padmasambava é o mestre fundamental do Vajrayana, que são os ensinamentos para a nossa época. Por grande compaixão e sabedoria, instruiu a sua discípula principal, Yeshe Tsogyal, que escondesse tesouros a serem revelados em épocas predeterminadas para praticantes futuros.
A profundidade dessas instruções é para ser aplicada individualmente por qualquer pessoa em qualquer circunstância. É uma obra clássica que contém verdades válidas para qualquer um que deseje seguir um caminho espiritual.


Autor: Padmasambava
Número de páginas: 264
Editora: Makara

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A Partida para a Índia

A Partida para a Índia

O mestre Padmakara [Padmasambhava] voltou sua atenção para os rakshasas que viviam em Lankapuri, a Terra dos Rakshasas, que é com um cabo de machado no continente de Jambu e que está próximo do país de Uddiyana. Ele viu que os rakshasas iriam invadir e destruir a Índia, o Nepal, o Tibet e assim por diante, destruindo a raça humana. O mestre Padma viu a necessidade de se defender contra os rakshasas a fim de conceder o presente do não-medo às pessoas do continente de Jambu. Ele decidiu deixar o glorioso Samye e ir ao topo da Gloriosa Montanha Cor-de-cobre.

Nesta hora, o príncipe Mutig Tsenpo e outros reis tibetanos, os ministros, os praticantes ordenados masculinos e femininos, os meditadores, yogis, curadores, copiadores e recitadores, governantes, mulheres, benfeitores masculinos e femininos — resumindo, todo o povo do Tibet — imploraram que ele permanecesse, mas ele não consentiu. Ao invés disso, ele cantou esta canção de aborrecimento com o Tibet.

Namo Ratna Guru

Senhor Amitabha e Avalokiteshvara,
Sua compaixão abarca todos os seres.
Concedam suas bênçãos para que eu possa ser o seu discípulo
E para que eu possa esvaziar o samsara.

Agora ouçam aqui, rei e súditos tibetanos.
Eu, Padmakara de Uddiyana,
Cheguei no Tibet devido à continuação do karma passado
E realizei a aspiração do rei [Trisong Detsen].

Nesta terra do Tibet, um reino encoberto por densa escuridão,
Fiz o sol do Dharma brilhar
E estabeleci todos os seres tanto na felicidade quanto no bem-estar.
E então o rei do Tibet faleceu.

Agora não devo mais permanecer no Tibet.
Eu e os tibetanos não entramos em acordo!
Eu estou partindo; estou indo para a Índia!

Eu, o rei e ministros tibetanos não entramos em acordo!
Eles não governam o reino de acordo com o Dharma.
Ao invés disso, os ministros controlam o rei do Dharma.
Estou cansado dos reis que se engajam em maus atos.
Eu estou partindo; estou indo para a Índia!

Eu e os monges tibetanos não entramos em acordo!
Eles não mantém a disciplina pura,
Mas sim desfrutam, em segredo, de carne, vinho e mulheres.
Estou cansado de pessoas hipócritas.
Eu estou partindo; estou indo para a Índia!

Eu e os professores tibetanos não entramos em acordo!
Eles não explicam corretamente as palavras do Buddha e os tratados,
Mas sim enganam as pessoas com ensinamentos distorcidos.
Eu estou partindo; estou indo para a Índia!

Eu e os meditadores tibetanos não entramos em acordo!
Eles não misturam o estado de meditação com a pós-meditação,
Mas sim fazem do mero entendimento intelectual a sua experiência e realização.
Estou cansado dos praticantes que se fixam sobre a calma inerte.
Eu estou partindo; estou indo para a Índia!

Eu e os tantrikas tibetanos não entramos em acordo!
Eles não mantém puros os compromissos sagrados.
Ao invés disso, eles deixam tanto o Mahayana quanto o Mantra Secreto se desviarem no xamanismo.
Estou cansado dos violadores de samaya.
Eu estou partindo; estou indo para a Índia!

Eu e os yogis tibetanos não entramos em acordo!
Eles não possuem o significado da Visão e da Meditação em sua prática do Dharma,
Mas sim enganam a si mesmos com chavões orgulhosos.
Estou cansado de pessoas jactantes.
Eu estou partindo; estou indo para a Índia!

Eu e os governantes tibetanos não entram em acordo!
Eles não misturam os afazeres sociais com o Dharma divino,
Mas sim gastam os ensinamentos e o reino com más intenções.
Estou cansado de pessoas de mente ruim com intenções negativas.
Eu estou partindo; estou indo para a Índia!

Eu e os benfeitores tibetanos não entramos em acordo!
Eles não praticam a generosidade livre do prejuízo
Mas sempre criam causas para o renascimento entre os fantasmas famintos.
Estou cansado das pessoas enganadoras e mesquinhas.
Eu estou partindo; estou indo para a Índia!

As mulheres tibetanas e eu não entramos em acordo!
Elas não têm fé e compaixão em seu coração,
Mas sim seguem os charlatões com fé oca.
Estou cansados das mulheres sem fé e luxuriosas.
Eu estou partindo; estou indo para a Índia!

Discípulos tibetanos, permaneçam em paz.
Eu estou partindo; estou indo para a terra dos rakshasas.
Rogo que nós possamos nos encontrar novamente no futuro.

Então todos os discípulos tibetanos se sentiram envergonhados de si mesmos. Com corações doloridos, com seus olhos cheios de lágrimas e atormentados pelo desespero profundo, eles fizeram prostrações completas. Eles colocaram os pés de Padmakara sobre o topo de suas cabeças, agarraram seu robe e rogaram, Ouça, grande mestre! Se você partir para a Índia, não teremos como esclarecer nossas concepções errôneas externas e internas! Anteriormente, quando o rei Trisong Detsen estava vivo, sua bondade era imensa. Agora, por favor continue a cuidar do povo do Tibet com sua compaixão. De todos os modos, por favor fique!

Em resposta ao pedido deles, o Mestre Padma disse: Durante o reino do rei [Trisong Detsen], fiz o Buddhadharma se espalhar e florescer. Vocês, meus seguidores, o rei [atual] e os súditos, devem manter minha tradição exatamente com ela é, como benfeitores e objetos de respeito. Já que estou indo para a Índia, não haverá qualquer um para esclarecer suas concepções errôneas externas e internas. Mas a menos que os rakshasas sejam banidos, eles inundarão sua terra, Lankapuri, e comerão todos os humanos do continente de Jambu. Chegou a hora de eu partir para subjugá-los, então preciso partir.

(Advice from the lotus born: a collection of Padmasambhava's advice to the dakini Yeshe Tsogyal and other close disciples. Introdução de S.E. Tulku Urgyen Rinpoche, tradução de Erik Pema Kunzang e edição de Marcia Binder Schmidt. Kathmandu: Rangjung Yeshe, 1994. Pág. 149-151.)

Instruções para Yeshe Tsogyal

Instruções para Yeshe Tsogyal

Depois de me dar predições visionárias, ele [Padmasambhava] se preparou para partir nos raios do sol, mas me curvando a ele, eu [Yeshe Tsogyal] o ofereci este lamento urgente:
Alas! Alas! Senhor de Uddiyana,
Aqui um momento, indo em seguida —
Certamente esta é a impermanência do nascimento e da morte.
Como posso prender o processo do nascer e do morrer?

Alas! Alas! Senhor de Uddiyana,
Estivemos juntos por tanto tempo
E agora, em um lampejo, estamos separados —
Isto certamente é o que significa o encontrar e o partir.
Como posso permanecer sempre com você?

Alas! Alas! Senhor de Uddiyana,
No passado, você permeou todo o Tibet,
Mas agora, apenas a marca de sua presença permanece —
Certamente isto é o que é chamado de impermanência.
Como posso prender os ventos do karma?

Alas! Alas! Senhor de Uddiyana,
No passado, seu conselho reforçou o Tibet,
Mas agora temos apenas a lenda para ouvir —
Certamente isto é o que é chamado de mudança e vir-a-ser.
Como posso obter a convicção inabalável?

Alas! Alas! Senhor de Uddiyana,
Até este momento, fui sua companheira constante,
Mas agora o mestre está desaparecendo no céu,
Deixando esta mulher na cama do karma ruim.
Quem me dará a iniciação e a bênção?

Alas! Alas! Senhor de Uddiyana,
Suas palavras foram cheias de instruções profundas,
Mas agora, imortal, você se dissolve no espaço,
Deixando para trás esta mulher atada ao corpo.
A quem posso pedir para dissipar obstáculos e me inspirar?

Alas! Alas! Senhor de Uddiyana,
Por favor me conceda três palavras simples de conselho.
Olhe sempre para mim com compaixão,
Por favor se lembre do Tibet em suas preces que realizam desejos.
Então joguei treze porções de pó de ouro sobre o corpo do mestre e, enquanto eu estava lamentando em aflição, o mestre, cavalgando os raios do sol, falou para mim a um palmo acima do solo, respondendo às minhas perguntas:
Ouça, ó filha, oceano de talento,
Padmasambhava está partindo para ajudar e converter os demônios selvagens.
Este ato hábil dos três modos do Buddha totalmente perfeito
Não podem ser comparados aos estouro das bolhas humanas.
Se você estiver com medo do nascimento e da morte, assimile o ensinamento do Buddha,
E quando você controlar seus fluxos de energia e os processos de criação e realização,
Você prenderá o processo do nascimento e morte da maneira mais superior.

Ouça, ó virtuosíssima, consorte fiel,
Padmasambhava está partindo para o bem de todos os seres.
A compaixão que tudo abraça e que não discrimina
Não pode ser comparada ao véu de delusão da humanidade.
Para estar comigo sempre, pratique o Guru Yoga
E as aparências idealizadas surgirão como o lama;
Não há melhor maneira de evitar o encontrar e o partir.

Ouça, ó senhora atraente e cativante,
Padmasambhava está partindo para a conversão abnegada dos outros.
Este ser supremo e imaculado, em quem a matéria se dissolveu,
Não pode ser comparada aos seres humanos dirigidos pelo karma ruim.
Preenchi o Tibet com discípulos e siddhas;
Medite sobre o mahamudra para obter o insight na impermanência
E o mundo fenomenal, samsara e nirvana, estará livre assim como ele é;
Não há melhor maneira para prender o vento do karma.

Ouça, ó senhora fiel, eternamente jovial,
Padmasambhava está indo ensinar nos reinos dos demônios selvagens.
Este supremo corpo-vajra, imune à mudança,
Não pode ser comparado ao ser humano golpeado pela doença.
Preenchi o Tibet, acima e abaixo, com o ensinamento do Buddha,
E se você o louvar e meditar, o ensinamento não será perdido;
O estudo, a contemplação e a meditação sustentam a doutrina do Buddha.
O bem para si e para os outros é espontaneamente realizado;
Não há maneira mais profunda de evitar a mudança e a decadência.

Ouça, ó fiel garota de Kharchen,
Padmasambhava está partindo para os campos da luz de lótus.
Inspirado pela aspiração dos sugatas do passado, presente e futuro,
Não posso ser comparado aos seres humanos perseguidos pelo senhor da morte.
Você, mulher, após atingir o siddhi, possui um "super-corpo";
Então, peça à sua mente superior pela bênção e iniciação:
Não há outro regente superior de Padmasambhava [além desta mente superior].

Ouça, ó Yeshe Tsogyalma,
Padmasambhava está partindo para o lugar do êxtase puro.
Esta divindade imortal, permanecendo em um corpo de vacuidade,
Não pode ser comparada aos seres humanos com corpo e mente divididos.
Tsogyal foi liberada pelos profundos preceitos secretos;
Medite sobre a grande perfeição para extinguir a corporealidade
E, através da absorção meditativa e das preces, dissipe os obstáculos e ganhe inspiração;
Não há melhor maneira de remover obstáculos à compaixão do lama.

Ouça, ó realizada Brilhante Luz Azul,
Dei a você muitos conselhos e instruções no passado,
Todos os quais comprimidos nesta injunção final —
Pratique o Guru Yoga.
Um palmo acima de sua cabeça, sobre um lótus e lua,
Em uma expansão de luz de arco-íris,
Senta-se Padmasambhava, o lama de cada um,
Com um rosto e duas mãos, segurando um vajra e um crânio,
Vestindo uma túnica, um colete, uma camisa e um xale,
Um xale externo e um manto solto,
Indicando sua completude perfeita dos seis veículos da prática,
Adornado com um chapéu, pena de abutre e brincos,
Em postura de lótus, irradiando luz,
Dotado com as oitenta marcas e sinais ideais,
No meio de dakinis vislumbrantes de luz quíntupla de arco-íris,
Brilhantes, incandescentes, claras com a luz da mente.
Quando esta visão estiver distinta, tome a iniciação e permaneça em absorção;
Se a visão não estiver clara, medite com diligência.
Então, conte o guru siddhi mantra essencial e quintessencial,
E finalmente, integrando o lama com as suas três portas,
Compartilhe o mérito e rogue para atingir a natureza do próprio lama,
E se banhe na esfera semente do potencial puro da grande perfeição.

Não há nada melhor do que isso, Tsogyalma,
E não há aumento ou diminuição de minha compaixão;
É impossível quebrar meu feixe de compaixão brilhando sobre o Tibet;
Estou sempre presente diante de meus filhos que rogam a mim;
Nunca estou separado dos fiéis.
Para as pessoas com conceitos, eu estou velado, apesar de fisicamente presente;
A compaixão contínua reforça meus filhos com a visão clara.
Assim, no futuro, no décimo da lua,
Padmasambhava virá cavalgando no senhor do dia,
Em formas pacíficas, enriquecedoras, dominadoras e destrutivas,
Durante os quatro quartos sucessivos do dia,
Para dar o siddhi correspondente aos meus filhos espirituais.
Do mesmo modo, aparecerei no décimo dia da lua minguante
Para realizar, em particular, todos os atos dominadores e destrutivos;
No décimo quinto dia da lua, cavalgando os raios da lua,
Moverei as profundezas do samsara com minha prece compassiva,
Esvaziando os reinos inferiores sem exceção,
Trabalhando perfeitamente com poder pelo bem dos outros.
No oitavo da lua, após a queda da noite e antes do amanhecer,
No pôr do sol e no nascer do sol, cavalgando meu sábio cavalo de batalha,
Viajando através dos lugares de poder do mundo,
Concederei vários siddhis:
Na terra das demônias viciosas, girarei a roda do ensinamento;
Para todos os seres das vinte e umas ilhas bárbaras
E das trinta terras mais selvagens,
Para pacificar, enriquecer, dominar ou destruir,
Emanando como fogo, vento ou água,
Como céu, arco-íris, terremoto ou trovão,
Despacharei um milhão de emanações para guiá-los para a felicidade;
Não haverá interrupção ao meu trabalho pelos seres.

Você, mulher, a partir daqui, viverá mais do que cem anos
Para atingir a felicidade para todos os seres do Tibet.
Após cem anos mais um, você poderá vir para Ngayab Ling
E, inseparável de Padmasambhava, protegerá seus discípulos.
"Detentora do Conhecimento Irradiando Luz Azul" será o seu nome
E para sempre o seu corpo, fala e mente serão unos comigo.
Tendo preso o processo de nascimento e morte, com os ventos do karma suprimidos,
Você projetará emanações para o bem dos seres futuros.
Na terra do Tibet, suas emanações continuarão para sempre,
Sem fadiga ou arrependimento, trabalhando belo bem-estar dos seres.
Assim seja composta, Tsogyalma!
Você e eu nunca nos separaremos.
Mas no plano relativo, adeus!
E através de minha prece compassiva, possa o Tibet ser feliz.

(Dowman, Keith. Sky dancer: the secret life and songs of the Lady Yeshe Tsogyel.
Ilustrado por Eva van Dam. Ithaca: Snow Lion, 1996. Pág. 126-131.)

A Mente Essencial

A Mente Essencial

O rei Trisong Detsen perguntou a Orgyen Rinpoche Padmasambhava: "Grande mestre, a fim de os seres sencientes causais realizarem o resultado do estado búddhico, bem no início a visão da realização é crucial. Então quem está dotado com a visão da realização?"

O mestre respondeu: "O ápice de todas as visões é constituído pelas instruções essenciais e práticas para a iluminação. Todas as galáxias, todos os sugatas dos três tempos e das dez direções e todos os seres sencientes dos três reinos são uma realidade: eles estão incluídos na mente essencial da bodhichitta. Isso que é chamado 'mente' é não-criado e se manifesta de vários modos."

"Bem, então, qual é a diferença entre os buddhas e os seres sencientes?"

"Nenhuma além de sua realização e não-realização da mente. Desconhecido para você, o Buddha está presente dentro de você. Devido à falha em reconhecer a natureza essencial da mente, você vaga entre os seis estados da existência."

"Bem, então, qual método há para penetrar a mente?"

"Para isso, as instruções práticas de um lama são necessárias. A assim-chamada 'mente' existe como uma experiência da atenção e do conhecimento. Não observe a mente externamente, mas sim internamente. Procure a mente com a mente. Estabeleça a mente em si com a mente. Observe: onde a mente inicialmente surge, onde ela está localizada agora e aonde ela vai no final? Quanto a isto, observando por você mesmo a sua mente, nenhum lugar de origem, nenhuma localização e nenhum destino são encontrados. Não há como indicar sua natureza essencial dizendo, 'É deste modo...' Assim, não tendo exterior ou interior, e não tendo observador ou observado, a mente é a grande sabedoria primordial, livre de centro ou periferia, grande, vazia, sabedoria primordial, originalmente livre e permeando tudo. A sabedoria primordial, que é naturalmente presente em seu próprio modo de ser, não é algo criado. O reconhecimento da presença da sabedoria primordial em você mesmo é a visão. Esforce-se para penetrá-la!

"O solo e o que tem o solo é como o espaço, primordial e espontaneamente presente. É como o sol, não tendo base para a escuridão da ignorância. É como um lótus, não-manchado pelas máculas. É como o ouro, que não muda da natureza da realidade em si. É como o oceano, sem movimento. É como um rio, sem interrupção. É como uma presença, sem encontrou ou partida. É com o Monte Meru, sem se mover ou mudar."

(Citado em Naked awareness: Practical instructions on the union of Mahamudra and Dzogchen.
Karma Chagme, com comentário de Gyatrul Rinpoche, traduzido por B. Alan Wallace,
editado por Lindy Steele e B. Alan Wallace. Ithaca: Snow Lion, 2000. Pág. 109-110.)

Guru Padmasambhava

Guru Padmasambhava