quarta-feira, 8 de agosto de 2018

INSTRUÇÕES DIRETAS PARA O MAHAMUDRA

O Estado Desperto Autoliberado

INSTRUÇÕES DIRETAS PARA O MAHAMUDRA

Homenagem ao Nascido do Lótus de Uddiyana.

ESTAS SÃO AS INSTRUÇÕES ORAIS PARA O MAHAMUDRA.

O mestre de Uddiyana disse: Ouça, Tsogyal. Ao ensinar as instruções diretas do Mahamudra há quatro pontos: o Mahamudra da visão, o Mahamudra da meditação, o Mahamudra da fruição e o Mahamudra do treinamento.

Primeiro, em relação ao Mahamudra da visão, um tantra afirma:
O Mahamudra da visão é a natureza básica da mente, Com nada para provar ou dissipar.
Desta forma, o Mahamudra não tem um suporte, um ponto de referência, ele é por natureza não nascido, e não perece devido a circunstâncias. Sua exibição é ilimitada e é o estado natural, a natureza básica de tudo que pode ser conhecido.
Além do mais, suas virtudes não precisam ser produzidas nem há falhas a serem eliminadas, como a analogia de acreditar que uma corda seja uma cobra. É a noção de cobra que é um erro e não a corda; apesar de à primeira vista parecer ser uma cobra, você entende que ela era apenas uma corda. Nem a corda precisa ser provada nem a cobra precisa ser dissipada, de forma alguma. Da mesma maneira a natureza básica de todas as coisas que podem ser conhecidas é ela mesma a natureza do Mahamudra. Assim, nem é necessário produzir um estado desperto livre de pensamentos nem os pensamentos precisam ser eliminados. O estado desperto livre de pensamentos está presente diretamente enquanto pensamos, e assim - não pertencendo a categoria alguma tal como permanência ou nulidade, os dois tipos de identidade, ou aquele que percebe ou o percebido - ele é conhecido como a pureza original e perfeita.

Segundo, em relação ao Mahamudra da meditação um tantra afirma:
Permita que sua natureza básica se estabeleça sem fixações; Esse é o Mahamudra do estado meditativo. 
Desta maneira, o Mahamudra da meditação é permitir que a sua natureza original repouse sem sustentar qualquer coisa em sua mente. Assim, ele não é o resultado do pensamento, não é indicado, não é algo que é ou não é; ele está livre de conflitos e de ação mental e não exclui qualquer tipo de coisa de qualquer forma.
Além do mais, ao repousar no estado natural não é necessário modificar nada com remédios, assim como o oceano e as ondas. Quando uma onda se move sobre o grande oceano ela surge dele e desaparece novamente no oceano. A onda não é outra que o oceano e o oceano não é outro que a onda. Assim como a onda no oceano, permaneça serenamente num sabor equânime. Como esta analogia, no Mahamudra da essência de sua mente, a natureza original livre de pensamentos, repouse completamente no estado natural. Não sustente coisa alguma em sua mente. Qualquer pensamento que possa surgir não é, no próprio momento do surgimento, separado do estado desperto livre de pensamentos e livre de erros. O pensamento surge de você, aparece para você e se dissolve em você. Nesse momento, o estado natural não é uma coisa sobre a qual você possa pensar, nem é possível indicá-lo através de palavras.
Sendo livre da dualidade entre aquele que percebe e o que é percebido, ele não é alguma coisa que exista. Visto que este estado desperto não dual experimenta de todas as formas possíveis, ele não é alguma coisa que não exista.
E visto que esses dois níveis de realidade são indivisíveis, ele está livre de conflitos.
Uma vez que todos os fenômenos enganosos estão marcados com o seu selo, ele não exclui coisa alguma. E assim, sendo originalmente livre, ele é conhecido como o estado original de autoliberação.

Terceiro, em relação ao Mahamudra da fruição um tantra afirma:
A própria base amadurecida até o fruto, Isso é o Mahamudra da fruição.
Desta forma, o Mahamudra da fruição é quando a natureza básica, o estado natural de todas as coisas que podem ser conhecidas, amadureceu até a realização. Em outras palavras, a sua essência, o dharmakaya, está de acordo com a vacuidade; a sua natureza, o sambhogakaya, é dotada dos meios hábeis do estado desperto lúcido; e a sua capacidade, o nirmanakaya, é a sua expressão natural, ilimitada.
Usando uma analogia, quando uma semente amadurece em uma espiga de grãos, é apenas a semente que se transformou na espiga de grãos. Não há espiga de grãos separada da semente, e além da espiga de grãos, não há nada em que a semente possa amadurecer. Assim como essa analogia, a fruição é a sua mente original, o estado naturalmente puro, básico - depois que as miríades de tipos de modulações temporárias se dissolverem por si mesmas. Ela é simplesmente o estado natural tal como ele é.
Ela é a essência vazia de sua mente, um estado ilimitado de estar desperto, isto é o dharmakaya. Ela é a natureza lúcida de sua mente, uma experiência impossível de descrever com palavras, isto é o sambhogakaya. Ela é a capacidade de expressão de sua mente, a autoliberação de cada momento de experiência, isto é o nirmanakaya.

Quarto, em relação ao Mahamudra do treinamento um tantra afirma:
De modo a gerar uma cadeia de bênçãos Há o Mahamudra do treinamento.
Você deve solicitar as instruções orais de um mestre que possua a transmissão, a realização e compaixão. Desse dia em diante você deve suplicar a ele, não o considerando como um corpo da forma (rupakaya), mas apenas como o dharmakaya. Incapaz de suportar qualquer separação, dissolva-se nele com profundo anseio, de forma que através das bênçãos do mestre a realização do Mahamudra surja espontaneamente. Isto - o atalho unicamente suficiente sem necessidade de se apoiar em qualquer outro método dos dois estágios - é conhecido como Mahamudra do treinamento.
Usando uma analogia, quando o sol está brilhando e você possui uma lente não danificada, impoluta, o musgo seco pegará fogo no momento em que você arranjar corretamente os três. De forma similar, quando as bênçãos do mestre, sua própria devoção e a sinceridade pura de seu ser todos coincidirem, o estado desperto original que é o Mahamudra automaticamente surgirá ao simplesmente fazer uma súplica a partir de um anseio profundo.
Agora o método para certificar-se de que seu ser esteja purificado. Depois de receber as instruções orais, inicialmente vá para um local isolado e permaneça lá solitário. Então, deixando de lado todos os outros objetivos - entregando-se completamente - repetidamente forme este raciocínio: “Que perda terrível seria se eu desperdiçasse este corpo de liberdades e riquezas obtido apenas esta vez!
Como nada é certo, o que eu faria se morresse hoje à noite ou agora mesmo!
Minha mente não alcançou qualquer estabilidade. E depois que eu morrer nada nem ninguém me acompanhará!”
Então tome refúgio e estabeleça a determinação da bodicita muitas vezes.
Use vários métodos para purificar seus obscurecimentos e para reunir as acumulações. Mas especificamente visualize seu guru raiz pessoal no centro de seu coração, pensando: “Ele apenas é o Mahamudra, o buda dharmakaya!”
Suplique a ele com intensa sinceridade até que se sinta exausto. Então, sua consciência se tornará um estado livre de pensamentos e vazio, uma experiência de indescritível clareza ou um estado de bem-aventurança livre de apegos.
Reconheça: “Apenas isto é a mente do guru, minha própria mente, o Mahamudra do dharmakaya!” e repouse na liberdade espontânea do estado básico de naturalidade.
No início treine em sessões curtas repetindo-as muitas vezes, desta forma o seu pensamento se evaporará como a névoa. Então estenda as sessões, e ao fazer isso permaneça completamente livre de pensamentos. Finalmente, transcendendo as sessões e os intervalos, você se expandirá para um estado no qual qualquer coisa é a natureza única de dharmata.
Durante os intervalos execute todas as suas atividades diárias em um estado desperto lúcido contínuo, que tudo permeia, livre de qualquer atividade mental. Mas, mesmo que esse estado natural seja agora uma realidade para você, continue a cultivar uma vasta compaixão pelos seres sencientes e faça aspirações de que o bem-estar dos outros possa ser espontaneamente realizado na maneira da não ação.
Isto foi apenas um fragmento de ensinamento “Estado Desperto Autoliberado: as instruções diretas do Mahamudra.”

SAMAYA. ༔ SELO, SELO, SELO. ༔

Esta instrução definitiva e maravilhosa, um terma redescoberto de Drimey Kunga, foi revelada como um siddhi por Pema Ösel Do-Ngak Lingpa no Cabo Perpendicular da Rocha Vermelha, e depois foi oferecido a Orgyen Chimey Tennyi Yundrung Lingpa. Que ele possa fazer com que a verdadeira linhagem da realização se dissemine e floresça tão amplamente quanto a expansão do espaço.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A Essência Refinada das Instruções Orais

A senhora Tsogyal de Kharchen serviu o nirmanakaya Orgyen Padmakara a partir do seu oitavo ano, acompanhando-o como a sombra segue o corpo.
Quando o mestre estava prestes a abandonar o Tibete para partir para a terra dos Rakshas, eu, senhora Kharchen, tendo oferecido uma mandala de ouro e turquesa e tendo girado uma roda de oferendas, implorei:
Oh, Grande Mestre! Tu estás a partir para domar os Rakshas.
Deixas-me para trás, aqui no Tibete.
Embora te tenha servido durante tanto tempo, mestre, esta velha não tem confiança no momento da morte. Por isso, rogo-te que amavelmente me dês uma instrução condensando todos os ensinamentos num só, concisa e fácil de praticar.
O grande mestre respondeu:
Devotada, com uma mente fiel e virtuosa, escuta-me.
Embora haja muitos pontos-chave profundos do corpo, relaxa-te e descontrai-te.
Tudo está incluído simplesmente nisso.
Embora haja muitos pontos-chave do discurso, como o controle da respiração e recitação de mantras, para de falar e descansa como uma pessoa muda.
Tudo está incluído simplesmente nisso.
Embora haja muitos pontos-chave da mente como a concentração, o relaxe, a projeção, a dissolução e a focagem interior, tudo está incluído no simples facto de repousares no estado natural, solta e leve, sem qualquer esforço.
A mente não permanece sossegada nesse estado.
Se alguém se interrogar:
«Ela não é nada?»,
como a névoa ao calor do Sol, ainda brilha e cintila.
Mas se alguém se interrogar:
«Ela é alguma coisa?»,
não tem cor nem forma para se identificar, mas é plenamente vazia e completamente desperta - essa é a natureza da tua mente.
A intenção é reconhecê-la como tal, ter plena certeza do que ela é.
Ficar concentrado no estado de quietude, sem fixação, isso é meditação.
Nesse estado, a ação é ficar-se livre de anseios e apegos, aceitações ou rejeições, temores ou esperanças, qualquer das experiências dos seis sentidos.
Seja qual for a dúvida ou hesitação que ocorra, suplica ao teu mestre:
Não permaneças em lugares de gente vulgar; prática em reclusão.
Desiste de te agarrares a tudo que mais te atraia, bem como a quem quer que seja, a que te sintas fortemente ligada nesta vida, e prática.
Assim, embora o teu corpo permaneça em forma humana, a tua mente é igual à dos budas.
Na altura de morreres, deves praticar da seguinte maneira:
Como a terra a dissolver-se na água, o corpo torna-se pesado e não se pode sustentar a si mesmo.
Como a água a dissolver-se no fogo, a boca e o nariz secam.
Como o fogo a dissolver o vento, o calor do corpo desaparece.
Como o vento a dissolver-se na consciência, exalamos com estrondo e inalamos com um arfar.
Nessa altura, tens a sensação de ser esmagada por uma grande montanha, de estares rodeada de trevas, ou de teres sido largada num grande espaço vazio.
Todas estas experiências são acompanhadas por sons tonitruantes e tinidos.
Todo o céu se torna vividamente brilhante como um brocado desfraldado.
Além disso, também as formas naturais da tua mente, as deidades pacíficas, iradas, semi-iradas e as que possuem diversas cabeças, enchem o céu com uma cúpula de luzes irisadas.
Brandindo armas, exclamam:
«Bate! Bate!», «Mata! Mata!», «Hung! Hung!», «Phat! Phat!» e outros sons temíveis.
A par disso, haverá luzes como cem mil sóis a brilhar ao mesmo tempo.
Nessa altura, a tua deidade inata recordar-te-á a consciência, dizendo:
«Não te distraias! Não te distraias! »
O teu demônio inato perturbar-te-á com todas as tuas experiências, fazendo-as entrar em colapso e pronunciará sons agudos e terríveis para te confundir.
Nessa altura, lembra-te disto:
O sentimento de esmagamento não é o de seres esmagada por uma montanha.
São os teus próprios elementos a dissolverem-se.
Não receies isso!
A sensação de estares encurralada dentro de trevas não são trevas.
São as faculdades dos teus cinco sentidos a dissolverem-se.
A sensação de seres arremessada para o vazio não é a sensação de queda.
É a tua mente sem apoio, porque o teu corpo e a tua mente separaram-se e a tua respiração parou.
Todas as experiências das luzes irisadas são as manifestações naturais da tua mente.
Todas as formas pacíficas e iradas são as formas naturais da tua mente.
Todos os sons são os teus próprios sons.
Todas as luzes são as tuas luzes.
Não tenhas dúvidas quanto a isso.
Se duvidares, serás arremessada para o samsara.
Sabendo que isso é uma auto manifestação, se repousares bem desperta no vazio luminoso, então atingirás os três kayas e receberás a iluminação.
Mesmo que sejas lançada no samsara, não irás lá parar.
A deidade inata é o teu presente a tomar conta da tua mente com recolhimento imperturbado.
A partir desse momento, é muito importante não teres nem temor nem esperanças, nem afetos nem fixação face aos objectos dos teus seis sentidos, nem também te prenderes à fascinação, à felicidade e à pena.
A partir de então, atingirás a estabilidade e serás capaz de assumir o teu estado natural no bardo e tornares-te iluminada.
Portanto, o ponto mais vital é manteres a tua prática imperturbada a partir desse mesmo momento.
O demônio inato é a tua presente tendência para a ignorância, a tua dúvida e hesitação.
Nessa altura, sejam quais forem os fenômenos tremendos que aparecerem como sons, cores e luzes, não te deixes fascinar, não duvides e não te enchas de receio.
Se caíres na dúvida por um simples momento, vaguearás pelo samsara, pelo que deves adquirir completa estabilidade.
Nesse ponto, as entradas das entranhas parecem-se com palácios celestiais.
Não te deixes atrair por elas. Assegura-te disso!
Liberta-te da esperança e do medo.
Juro-te que não há dúvida de que nesse momento ficarás iluminada sem assumires mais renascimentos.
Nessa altura, ninguém é ajudado por um buda.
A tua própria consciência está primordialmente iluminada.
Ninguém é prejudicado pelos infernos.
Estando a fixação naturalmente purificada, o medo do samsara e a esperança pelo nirvana são cortados pela raiz.
Tornar-se iluminado pode comparar-se à água limpa de sedimentos, ao ouro isento de impurezas, ou ao céu limpo de nuvens.
Tendo alcançado o dharmakaya semelhante ao espaço, para o benefício próprio, cumprirás o benefício dos seres sencientes até à máxima extensão do espaço.
Tendo atingido o sambhogakaya e o nirmanakaya para o bem-estar dos outros, beneficiarás os seres sencientes na máxima extensão em que a tua mente abarque os fenômenos.
Se esta instrução for dada três vezes mesmo a um grande pecador como o que matou o próprio pai e mãe, não permanecerá no samsara mesmo que tenha sido lançado para ali.
Não há dúvida quanto a ficar iluminado.
Mesmo que tenhas muitos outros ensinamentos profundos, sem uma instrução como esta, permanecerás muito longe.
Como não sabes por onde vaguearás a seguir, entrega-te com perseverança à prática.
Deves dar esta instrução oral aos receptores que possuam grande fé, forte diligência e que sejam inteligentes, que sempre se recordem do seu mestre, que tenham confiança nas instruções orais, que se entreguem à prática e que sejam decididos de mente e capazes de não estar ligados às preocupações com este mundo.
Dá-lhes esta instrução com o selo da confiança, com o selo do yidam do secretismo e com o selo de confiança do dakini.
Embora eu, Padmakara, tenha seguido muitos mestres durante três mil e seiscentos anos, requerido instruções, recebido ensinamentos, estudado e ensinado, meditado e praticado, não descobri nenhum ensinamento mais profundo do que este.
Eu vou amansar os Rakshas. Deves praticar da seguinte maneira.
Mãe, tornar-te-ás iluminada no reino celestial.
Portanto, persevera neste ensinamento.
Tendo falado, o Guru Rinpoche montou nos raios do Sol e partiu para a terra dos Rakshas.
Depois disso, a Senhora Tsogyal atingiu a libertação.
Decidiu escrever este ensinamento e cerrou-o como se de um profundo tesouro se tratasse.
Teve esta aspiração:
no futuro, podia ser dado ao Guru Dorje Lingpa.
Que beneficie muitos seres.
Isto completa a Sagrada Instrução da Essência Refinada, resposta a perguntas sobre a auto-libertação no momento da morte e no bardo.

SAMAYA, SEAL, SEAL, SEAL.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Conselho Sobre Como Praticar as Instruções Profundas


O mestre ofereceu ao rei este conselho:
Vossa Majestade, pratique o significado destas instruções.

Não há paz dentro dos reinos do samsara,
A paz é encontrada no estado desperto.
Através do esforço o estado desperto nunca é alcançado,
Ele não é alcançado pelo esforço, mas pela não interferência relaxada e por nunca se esforçar.

Pela rejeição o samsara não é deixado para trás,
Ele é liberado por si mesmo ao não interferir relaxadamente.
As suas tentativas de curar suas misérias não trouxeram paz,
Você estará em paz ao não interferir relaxadamente.

Você não encontra felicidade nos desejos intensos,
Apenas quando os deixa de lado.
O apego não é cortado tentando evitá-lo,
Apenas pela repulsa ele é verdadeiramente cessado.

As instruções não são encontradas desejando-as,
Você as obtém ao encontrar um mestre.
Você nunca recebe bençãos apenas pedindo,
Elas vêm quando você gerou devoção.

Rei, você encontrará a felicidade quando o Dharma for seu companheiro regular.
Abandone as ocupações que o distraem e abrace a natureza da visão e da meditação.
Permaneça no estado de igualdade do dharmakaya que está além dos surgimentos.



O rei ficou encantado, cumprimentou e circum-ambulou o mestre com profunda fé e respeito.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Tesouros do Pico do Junípero

Tesouros do Pico do Junípero, contém as orientações mais sutis e reveladoras. São seleções para os praticantes mais experientes, com ênfase na visão e na combinação de meditações conceituais e não conceituais.

Confira o sumário.

Comentário do Lama Padma Samten (autor de Meditando a Vida) sobre Tesouros do Pico do Junípero:
Trata-se de uma coleção de preciosidades, tesouros mesmo,termas manifestados por grandes tertons, emanações de Guru Rinpoche. Uma pessoa que perambulasse penosamente pelo deserto de sua vida, vida após vida, ao encontrar apenas uma parte dessa coleção, se sentiria completamente recompensada. Seguindo essa única parte dos ensinamentos atingiria o resultado final. 
Tomando esse texto, contemple-o parte a parte como sua prática principal, guardando-o como uma relíquia, na parte mais alta de seu altar.
Além dos ensinamentos de Guru Rinpoche há uma apresentação primorosa e iluminadora de Tulku Urgyen Rinpoche que atesta: Guru Rinpoche virou o saco dos ensinamentos do avesso, revelou-os completamente.

Sumário - Tesouros do Pico do Junípero

  • Prefácio do tradutor
  • Ensinamentos introdutórios
  • 1) Conselho sobre como praticar as instruções profundas
  • 2) O estado desperto autoliberado
  • 3) As 21 instruções essenciais
  • 4) A instrução ‘Apontando para a Velha Senhora’
  • 5) Descer mantendo a visão superior
  • 6) A Guirlanda de Cristal da prática diária
  • 7) A Guirlanda Dourada Preciosa de instruções de meditação
  • 8) O ciclo de pontos essenciais
  • 9) Conselho para combinar desenvolvimento e consumação, as práticas dotadas e desprovidas de conceitos
  • 10) Instrução para mulheres sobre como atingir a iluminação sem abandonar as atividades diárias
  • 11) Iniciação da manifestação da mente primordial
  • 12) Sinais e níveis do progresso
  • 13) Conselho para alcançar a iluminação no momento da morte
  • 14) Os cinco bardos
  • 15) O tesouro da Caverna de Cristal do Lótus

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Breve biografia de Padmasambhava


Padmasambhava

Numa ilha no oceano de leite, crescia uma flor de lótus multicolorida, sobre a qual estava sentado um menininho de apenas oito anos, muito belo, ornamentado com todas as marcas maiores e menores, segurando um vajra e um lótus em suas mãos. Ao vê-lo, o rei Indrabodhi ficou maravilhado e perguntou:
Pequeno menino, quem é seu pai e quem é sua mãe? Qual é a sua casta e qual é o seu país? De que comida você vive e qual é o seu objectivo aqui?
Em resposta a estas perguntas, o menino respondeu:
Meu pai é a sabedoria do estado desperto espontâneo. Minha mãe é a senhora sempre excelente, o espaço de todas as coisas. Pertenço à casta do espaço e estado desperto indivisíveis. Tomei o dharmadhatu não-nascido como minha terra natal. Sustento-me consumindo os conceitos de dualidade. Meu objetivo é o ato de eliminar as emoções perturbadoras.
Certamente, o mais influente dos mestres Nyingma foi Padmasambhava (tib. Pemajungne / Pad ma 'byung gnas), conhecido pelos tibetanos como Guru Rinpoche, que provavelmente viveu durante o século VIII. Ele recebeu a transmissão de ensinamentos de Jampel She Nyen (sânsc. Manjushrimitra, tib. 'Jam dpal bShes gNyen) e Garab Dorje (sânsc. Prahevajra?, Surativajra?, tib. dGa' rab rDo rje), e seu trabalho missionário difundiu esta linhagem no Tibet. A tradição diz que ele foi uma emanação do Buddha Amitabha (tib. Öpagme / 'Od dpag med) cuja meta específica era a de facilitar a disseminação do buddhismo naquele período crucial.
De acordo com a biografia escrita por sua discípula e consorte Yeshe Tsogyal (tib. Ye shes mTsho rgyal), muitos eventos do começo da vida de Padmasambhava têm vários paralelos aos da vida do Buddha Shakyamuni. Como Shakyamuni, ele teve um nascimento milagroso em um pequeno reino no norte da Índia. As lendas populares afirmam que ele nasceu no país de Oddiyana (tib. Orgyen / O rgyan) alguns após depois do parinirvana de Shakyamuni. Sobre um grande lótus multicolorido que surgiu no meio de um lago, havia um vajra dourado, marcado com uma sílaba-semente Hrih que tinha sido emanada do coração de Amitabha. No momento de seu nascimento, ele já tinha o desenvolvimento físico de uma criança de oito anos e todas as marcas maiores e menores de uma "grande pessoa". Quando o lótus abriu, Padmasambhava estava de pé em seu centro, segurando um vajra e um lótus em suas mãos. Por causa da natureza de seu nascimento, ele seria chamado de Padmasambhava, que significa Nascido do Lótus. (Segundo uma outra versão, para aqueles que não tinham o karma para reconhecer este nascimento milagroso, Padmasambhava teria mostrado simultaneamente um nascimento comum, como o filho do rei Mahusita de Oddiyana; ele então teria recebido o o nomeDanarakshita.)
Indrabodhi (tib. Gyelporaadza / rGyal por rá dza), o rei de Oddiyana, não tinha filhos e então decidiu adotar Padmasambhava. Ele o encontrou quando estava retornando da ilha de jóias preciosas da filha do rei naga. Indrabodhi tinha ido até lá para solicitar a jóia que realiza desejos, pois tinha gasto toda a sua riqueza de seus cento e oito tesouros dando esmolas aos mendigos.
Assim como Shakyamuni, Padmasambhava viveu em um palácio, aprendeu as artes e ciências apropriadas aos príncipes e se casou com uma bela mulher, Khadro Öchangma. Seu pai adotivo queria que ele seguisse seus passos e governasse o reino, mas Padmasambhava percebeu que aquela vida seria de pouco benefício aos outros, particularmente em comparação com o grande benefício que poderia realizar através da divulgação do Dharma.
Ele pediu ao seu pai a permissão para deixar o palácio e seguir uma vida religiosa, mas o rei recusou. Para convencer Indrabodhi a deixá-lo ir, Padmasambhava fez uma dança, durante a qual ele se atrapalhou com um tridente khatvanga e acabou matando o filho de Kamalate, o mais influente dos ministros. Isto é referido como uma "liberação" ao invés de um assassinato, pois o filho do malévolo ministro morreria em breve por causa do grande karma negativo que acumulou em vidas passadas. Sabendo disso, Padmasambhava foi capaz de efetuar a liberação do menino através de seu poder yógico. Porém, isto não foi reconhecido pelo rei nem pelos ministros, e como Padmasambhava pretendia, foi exilado do reino e ordenado a viver em cemitérios. Após uma emocionante despedida, Padmasambhava partiu.
Apesar de isto parecer uma punição dura e opressiva para um aparente acidente, isto satisfez os objetivos de Padmasambhava, pois os crematórios eram os pontos de meditação favoritos dos adeptos (sânsc. siddha, tib.drubthob / grub thob) tântricos. Durante o seu exílio, ele passou seu tempo nos crematórios de Shitavana, Nandanavana e Sosadvipa; em cada um destes lugares ele desenvolveu seu insight e poder tântricos, e recebeu ensinamentos e iniciações de dakinis (tib. mkha' 'gro ma / khandroma), tornando-se um poderoso yogi.
Ele então viajou à ilha de Dhanakosha e à floresta de Parashakavana, onde continuou a encontrar dakinis e a intensificar seu insight e seu poder. Depois ele foi a Vajrasana (o lugar da iluminação de Buddha) e então para o país de Zahor, onde encontrou o grande mestre Prabhahasti (Shakyabodhi), de quem recebeu ordenação monástica e o nome Shakya Senge. Ele aprendeu o Vinaya com Ananda, discípulo do Buddha Shakyamuni.
Apesar de todos tópicos do conhecimento estarem espontaneamente presentes dentro de sua mente, Padmasambhava estudou idiomas, medicina, lógica, artesanato e outras ciências, a fim de inspirar confiança nos seguidores comuns. Ele também estudou toda a gama de literatura e ciência buddhistas, tornando-se mestre dos textos das tradições exotérica e esotérica e sendo amplamente reconhecido por sua proeza espiritual.
Da monja Küngamo, uma dakini, ele recebeu a iniciação externa de Amitabha, a interna de Avalokiteshvara e a secreta de Hayagriva. Nesta ocasião, a monja deu a ele o nome Loden Chogse. Em seguida, ele recebeu ensinamentos de Manjushrimitra, Humkara, Prabhahasti, Nagarjuna, Buddhaguhya, Mahavajra, Dhanasankrita, Rombuguhya Devachandra, Shantigarbha e Shri Simha. Assim, ele se tornou mestre dos ensinamentos dasOito Classes de Atingimento (tib. Drubdegye / sGrub sde brgyad), da Rede Mágica (tib. Gyunp'hül Drowa / sGyu 'phul drwa ba) e da Grande Perfeição (sânsc. Atiyoga, tib. Dzogchen / rDzogs chen). Neste ponto de seu desenvolvimento, ele era capaz de instantaneamente compreender e memorizar quaisquer ensinamentos e textos, mesmo após ouvi-los apenas uma vez. Ele poderia perceber quaisquer divindades sem nem mesmo propiciá-las.
Por muitos meses ele realizou ritos tântricos avançados na caverna Maratika junto com sua consorte, a princesa Mandarava (tib. Mandá ra bá), filha do rei Arshadhara de Zahor. Ele cultivou práticas de longevidade e recebeu a iniciação diretamente de Amitayus (tib. Ts'hepagme / Tshe dpag med), o buddha da longa vida. Através desta prática, ele atingiu o nível de um detentor de conhecimento e ganhou o completo controle sobre a duração de sua própria vida.
Já que, através destas práticas, sua forma física era capaz de transcender o nascimento e a morte, ele se tornou efetivamente imortal e nada podia feri-lo sem que ele deixasse. Isto provou ser um atingimento valioso, pois quando ele viajou ao reino de Zahor, o rei e os ministros tentaram imolá-lo. 
Através de seu poder tântrico, ele foi capaz de transformar a pira em um lago de óleo de gergelim e permaneceu ileso em seu centro, sentado em um lótus. O rei e os ministros ficaram tão impressionados que pediram para ele ensinar o Dharma. Foi então que ele recebeu os nomes Padmasambhava Padmakara (Pemajungne em tibetano), Nascido do Lótus.
Depois, ele viajou a Oddiyana como um mendigo, mas seus habitantes o reconheceram como o príncipe banido, e o ministro cujo filho foi morto tentou queimá-lo com sua consorte Mandarava em uma pira de sândalo. Padmasambhava transformou a pira e apareceu com sua consorte às pessoas que estavam por perto, sobre um lótus no meio de um lago, completamente ileso pelo fogo. Esta exibição impressionou tanto o rei do Oddiyana que ele pediu que Padmasambhava se tornasse seu mestre.
Padmasambhava estava usando um colar de crânios, simbolizando que era um mestre tântrico que libera os seres sencientes da existência cíclica; por isso foi chamado de Pema Thötreng Tsal,  Lótus Poderoso da Guirlanda de Crânios. E como ele tinha sido anteriormente o filho adotivo do rei, passou a ser chamado também de Pema GyalpoRei do Lótus
Ele serviu como mestre em Oddiyana por 13 anos, durante os quais converteu todo o reino ao Dharma. Ele também disseminou o Dharma aos países vizinhos, e se diz que ele emanou o monge Indrasena, que converteu o rei Ashoka. Além disso, ele inspirou as pessoas a construir monumentos físicos ao Dharma, tais como stupas (tib. chöten / chos rten), que tanto divulgavam a fama dos ensinamentos quanto marcavam o seu avanço. As histórias tradicionais de sua vida contam inúmeros atos corajosos que ele realizou para banir a oposição e converter os inimigos ao Dharma. Em cada caso, mentes cheias de ódio e rancor foram transformadas em mentes elevadas pela fé no Buddha e em seus ensinamentos.
No cemitério de Jalandhara, Padmasambhava ajudou a vencer um debate contra os hereges que cercavam Vajrasana. Os panditas então deram a ele o nome Senge DradrogLeão que Ruge. Na caverna Yangleshö (hoje Parp'hing, Nepal), ele atingiu a realização das práticas de Vajraheruka e Vajrakilaya, tendo a princesa nepalesa Shakyadevi como sua consorte.
Padmasambhava começou a ampliar o escopo de sua atividade missionária, visitando a China, Shangshung e o Turquestão, e eventualmente decidiu que era o tempo propício para introduzir o Dharma no Tibet. As histórias tradicionais retratam sua viagem ao Tibet como uma vitória triunfante sobre as forças demoníacas que estavam determinadas a manter o buddhismo fora do país. Elas contam que Shantarakshita, o primeiro grande missionário no Tibet, encontrou uma oposição demoníaca que voltou as mentes dos ministros do rei contra ele. Os demônios do Tibet, que eram parciais à tradição pré-buddhista do Bön, jogaram relâmpagos do monte Marpori (o lugar onde atualmente está o palácio Potala) e destruíram a colheita. Shantarakshita aconselhou o rei a convidar Padmasambhava para vir subjugar os demônios do Tibet, e nesse ínterim ele foi para o Nepal. O rei seguiu as instruções de Shantarakshita e enviou uma delegação a Padmasambhava, mas o grande yogi tântrico já sabia da situação. Ele viajou à fronteira tibetana, mas seu avanço foi bloqueado por uma forte nevasca, enviada pelos demônios tibetanos para impedi-lo. A neve fez com as passagens ao Tibet ficassem inacessíveis, mas Padmasambhava superou os demônios, retirando-se em uma caverna e entrando em uma contemplação meditativa que lhe permitiu subjugá-los e colocá-los sob sua vontade. Depois disto, viajou a pé por toda a extensão do Tibet, meditando em cavernas por todo o país, desafiando os demônios que encontrava para um combate pessoal e os convertendo ao buddhismo. Nenhum foi capaz de se opor ao seu poder, e muitos se tornaram poderosos protetores da nova religião. Eles tomaram os votos solenes e eternos de nunca trabalhar contra o Dharma, de de fazer o máximo para garantir a sua propagação.
O rei, seus ministros e as pessoas comuns ficaram impressionados com o fato de um único homem desafiar todos os demônios do seu país a um combate mortal, e que nenhum tinha poder para o impedir. O rei anunciou que deste ponto em diante o buddhismo seria a religião do Tibet e perguntou a Padmasambhava o que precisaria fazer para facilitar a disseminação do Dharma. Padmasambhava aconselhou-o a convidar Shantarakshita a retornar, o que ele fez, e depois disto o primeiro monastério buddhista tibetano foi construído, em Samye (tib. Sam yas). O rei percebeu que, para que o buddhismo fosse transplantado ao Tibet com sucesso, as escrituras teriam que ser traduzidas, e assim ele fundou equipes de tradução, que começaram o longo processo de verter os textos do buddhismo indiano à língua tibetana. Além disso, ele começou a enviar tibetanos para estudar na Índia e a convidar renomados mestres indianos a visitar o Tibet.
Padmasambhava deu ensinamentos e transmissões do Vajrayana a centenas de discípulos, incluindo seus "vinte e cinco discípulos, o rei e os súditos". Com a consorte Yeshe Tsogyal, ele viajou milagrosamente por todo o Tibet, fazendo práticas, realizado milagres, dando ensinamentos e abençoando centenas de cavernas, montanhas, lagos, e templos como lugares sagrados. Ele escondeu milhares de tesouros (tib. terma / gter ma) em muitos lugares para beneficiar os seguidores futuros. Centenas de tibetanos que receberam ensinamentos dele tornaram-se seres realizados.
As histórias tibetanas não concordam sobre quanto tempo Padmasambhava permaneceu no Tibet para assegurar a difusão do Dharma com sucesso. De acordo com alguns registros, ele permaneceu apenas 6 ou 18 meses, enquanto outros argumentam que ele permaneceu por 3, 6 ou 12 anos. Alguns afirmam que ele permaneceu por mais de 50 anos. De acordo com a Declaração de Ba (tib. Bashe / Ba bzhed), a discrepância pode ser explicada: Padmasambhava pareceu deixar o Tibet após algum tempo, mas na realidade o Padmasambhava que deixou o país era apenas uma emanação criada pelo mestre, que continuava em cavernas solitárias. Em uma análise final, isso provavelmente importa pouco do ponto de vista da tradição, já que ela atribui a Padmasambhava inúmeros feitos surpreendentes. Se estes foram realizados em um curto período de tempo, isto é um testemunho de seu grande poder, e se eles foram realizados em um longo período, isso indica a sua grande compaixão e habilidade em supervisionar a transmissão do Dharma.
Ele eventualmente deixou o Tibet para continuar seu trabalho missionário nas regiões vizinhas, domando demônios e forças opostas ao buddhismo. Imediatamente depois de deixar o Tibet, ele viajou à montanha Küngtang (tib. Gung thang), onde subjugou Tötreng (tib. Thod phreng), rei dos ogres. Durante sua luta, Padmasambhava "liberou" Tötreng e, depois disso, entrou em seu corpo. Padmasambhava então criou um palácio, que se tornou a base de seu poder entre os ogres. Padmasambhava continua a viver neste mundo e a se engajar na atividade missionária, pelo benefício de todos os seres sencientes. Ele é o regente de Vajradhara, cuja presença assegura que a verdadeira essência do Dharma sempre permanecerá no mundo.

(Adaptado do livro Introduction to Tibetan Buddhism,
John Powers, Snow Lion Publications,

The Lotus-Born: the Life Story of Padmasambhava,
Yeshe Tsogyal, Shambhala Dragon Editions

The Hidden Teachings of Tibet,
Tulku Thondub Rinpoche, Wisdom Publications)


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A Lenda da Grande Stupa


A Lenda da Grande Stupa - Padmasambhava e Yeshe Tsogyal
Prósperos em virtude de seu trabalho diligente, a vendedora de aves Shamvara e seus quatro filhos aspiraram construir uma Grande Stupa - um relicário para os restos dos Tathagatas e um local de adoração para inúmeros seres.

Esta lenda de devoção, contada pelo grande Guru Padmasambhava ao Rei do Tibete, Trison Detsen, usa a linguagem do mito para comunicar significados profundos.

Dos ciclos de construção, progresso, destruição e regeneração que a lenda relata, ecoam experiências inerentes ao desenvolvimento espiritual, oferecendo um guia visionário através dos estágios da iluminação.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Prece de Sete Linhas

Hung

No país de Orgyen, em sua fronteira noroeste,
Sobre um lótus, pistilo e caule,
Espantosa e suprema realização você alcançou
E como o Nascido do Lótus você é renomado.
Um círculo de muitas dakinis o envolve,
Seguindo suas pegadas, praticando, nós o seguimos.
Para que conceda suas bençãos, aproxime-se, nós oramos

Guru Padma Siddhi Hung

Guru Padmasambhava

Guru Padmasambhava